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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Candoblé – Religião Afro-Brasileira

Fonte: joaobosco.wordpress.com

Há mais dois texto sobre o candoblé, a umbanda. Deem uma passadinha lá, vale a pena a gente conhecer.

Dentro do estudo das Matrizes Afro optamos em discutir sobre o Candomblé por ser a religião afro mais influente no Brasil. Na última década o Candomblé cresceu e a Umbanda encolheu. Principais religiões africanas trazidas pelos escravos ao Brasil, de acordo com o Censo de 2000, eles têm 571,3 mil praticantes no total, o que corresponde a 3% da população. Um dos principais motivos para a diminuição do número de Umbandistas, segundo estudiosos, seria o avanço pentecostal na mesma área em que a Umbanda atua. Durante décadas, as religiões afro-brasileiras foram um mundo à parte, fechado, dentro da cultura brasileira. A partir da metade do século 20, elas ganharam relevância nos livros, como Jorge Amado, e nas canções da bossa nova, cultuada pela classe média.

UMBANDA: Religião brasileira nascida no Rio de Janeiro, na década de 1920, a partir da mistura de crenças e rituais africanos e europeus. Suas raízes se encontram em duas religiões trazidas da África pelos escravos: A Cabula, dos bantos, e o Candomblé, da nação nagô. A Umbanda considera o universo povoado por entidades espirituais, os guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado (o médium), que os incorpora. Tais guias se apresentam por meio de figuras como o caboclo, o preto-velho e a pomba jira. Os elementos africanos misturam-se aos elementos católicos. Outras influências é o espiritismo Kardecista.

CANDOMBLÉ:

Os escravos da África Ocidental entre os séculos 16 e 19 trouxeram o candomblé para o Brasil. A religião sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses, que a consideravam feitiçaria. Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram às perseguições, os adeptos passaram a a associar os orixás aos santos católicos. Esse fenômeno é conhecido como sincretismo religioso, ou seja, uma mistura de elementos de diferentes crenças. Quem gosta de cachaça é o Exu. Quem veste branco é Oxalá. Quem recebe oferenda em alguidares são Orixás. As divindades tem defeitos humanos: Em qualquer terreiro, a entrada dos orixás na festa que segue sempre a mesma seqüência da ordem do xirê. Depois de despachar Exu, o primeiro a entrar na roda é Ogum, seguindo Oxossi, Obaluaiê, Ossain, Oxumaré, Xangô, Oxum, Iansã, Nana, Iemanjá e Oxalá. Segundo a tradição, os Deuses do Candomblé, tem origem nos ancestrais dos clãns africanos, divinizados h´amais de 5.000 anos. Acredita-se quem tenham sido homens e mulheres capazes de manipular as forças da natureza, ou que trouxeram para o grupo os conhecimentos básicos para a sobrevivência, como a caça, o plantio, o uso de ervas na cura de doenças e a fabricação de ferramentas. Os Orixás estão longe de parecer com os santos cristãos Católicos. Ao contrário, as divindades do Candomblé tem características muito humanas: São vaidosos, temperamentais, briguentos, fortes, maternais ou ciumentos. Em fim, tem personalidades próprias. Cada traço a personalidade é associado a um elemento da natureza: A fogo, o ar, a água e a terra, as florestas e os instrumentos de ferro. Nesse texto apresentaremos alguns aspectos dos orixás e práticas do Candomblé. Segundo o candomblé, cada pessoa pertence a um deus determinado, que é o senhor de sua cabeça e mente e de quem herda características físicas e de personalidade. É prerrogativa religiosa do pai ou mãe-de-santo descobrir esta origem mítica através do jogo de búzios. Esse conhecimento é absolutamente imperativo no processo de iniciação de novos devotos e mesmo para se fazerem previsões do futuro para os clientes e resolver seus problemas. Embora na África haja registro de culto a cerca de 400 orixás, apenas duas dezenas deles sobreviveram no Brasil. A cada um destes cabe o papel de reger e controlar forças da natureza e aspectos do mundo, da sociedade e da pessoa humana. Cada um tem suas próprias características, elementos naturais, cores simbólicas, vestuário, músicas, alimentos, bebidas, além de se caracterizar por ênfase em certos traços de personalidade, desejos, defeitos, etc. Nenhum orixá é nem inteiramente bom, nem inteiramente mau. Noções ocidentais de bem e mal estão ausentes da religião dos orixás no Brasil. E os devotos acreditam que os homens e mulheres herdam muitos dos atributos de personalidade de seus orixás, de modo que em muitas situações a conduta de alguém pode ser espelhada em passagens míticas que relatam as aventuras dos orixás. Isto evidentemente legitima, aos olhos da comunidade de culto, tanto as realizações como as faltas de cada um. De fato, o seguidor do candomblé pode simplesmente tomar os atributos do seu orixá como se fossem os seus próprios e tentar se parecer com ele, ou reconhecer através dos atributos da divindade bases que justificam sua conduta. Os padrões apresentados pelos mitos dos orixás podem assim ser usados como modelo a ser seguido, ou como validação social para um modo de conduta já presente. Um iniciado pode, ao familiarizar-se com seus estereótipos míticos, identificar-se com eles e reforçar certos comportamento, ou simplesmente chamar a atenção dos demais para este ou aquele traço que sela sua identidade mítica. Mudar ou não o comportamento não é importante; o que conta é sentir-se próximo do modelo divino. Além de seu orixá dono da cabeça, acredita-se que cada pessoa tem um segundo orixá, que actua como uma divindade associada (juntó) que complementa o primeiro. Diz-se, por exemplo: “sou filho de Oxalá e Iemanjá”. Geralmente, se o primeiro é masculino, o segundo é feminino, e vice-versa, como se cada um tivesse pai e mãe. A segunda divindade tem papel importante na definição do comportamento, permitindo opera-se com combinações muito ricas. Como cada orixá particular da pessoa deriva de uma qualidade do orixá geral, que pode ser o orixá em idade jovem ou já idoso, ou o orixá em tempo de paz ou de guerra, como rei ou como súdito etc. etc., a variações que servem como modelos são quase inesgotáveis. Às vezes, quando certas características incontestáveis de um orixá não se ajustam a uma pessoa tida como seu filho, não é invulgar nos meios do candomblé duvidar-se daquela filiação, suspeitando-se que aquele iniciado está com o “santo errado”, ou seja, mal identificado pela mãe ou pai-de-santo responsável pela iniciação. Neste caso, o verdadeiro orixá tem que ser descoberto e o processo de iniciação reordenado. Pode acontecer também a suspeita de que o santo está certo, mas que certas passagens míticas de sua biografia, que explicariam aqueles comportamentos, estão perdidas. No candomblé sempre se tem a ideia de que parte do conhecimento mítico e ritual foi perdido na transposição da África para o Brasil, e de que em algum lugar existe uma verdade perdida, um conhecimento esquecido, uma revelação escondida. Pode-se mudar de santo, ou encetar interminável busca deste conhecimento “em falta”, busca que vai de terreiro em terreiro, de cidade em cidade, na rota final para Salvador — reconhecidamente o grande centro do conhecimento sacerdotal, do axé —, e às vezes até a África e não raro à mera etnografia académica. Reconhece-se que falta alguma coisa que precisa ser recuperada, completada. A construção da religião, de seus deuses, símbolos e significados estará sempre longe de ter se completado. Os seguidores, evidentemente, nunca se dão conta disso. O candomblé opera em um contexto ético no qual a noção Judaico-Cristã de pecado não faz sentido. A diferença entre o bem e o mal depende basicamente da relação entre o seguidor e seu deus pessoal, o orixá. Não há um sistema de moralidade referido ao bem-estar da colectividade humana, pautando-se o que é certo ou errado na relação entre cada indivíduo e seu orixá particular. A ênfase do candomblé está no rito e na iniciação, que, como se viu brevemente, é quase interminável, gradual e secreta. O culto demanda sacrifício de sangue animal, oferta de alimentos e vários ingredientes. A carne dos animais abatidos nos sacrifícios votivos é comida pelos membros da comunidade religiosa, enquanto o sangue e certas partes dos animais, como patas e cabeça, órgãos internos e costelas, são oferecidas aos orixás. Somente iniciados têm acesso a estas cerimónias, conduzidas em espaços privativos denominados quartos-de-santo. Uma vez que o aprendizado religioso sempre se dá longe dos olhos do público, a religião acaba por se recobrir de uma aura de sombras e mistérios, embora todas as danças, que são o ponto alto das celebrações, ocorram sempre no barracão, que é o espaço aberto ao público. As celebrações de barracão, os toques, consistem numa sequência de danças, em que, um por um, são honrados todos os orixás, cada um se manifestando no corpo de seus filhos e filhas, sendo vestidos com roupas de cores específicas, usando nas mãos ferramentas e objectos particulares a cada um deles, expressando-se em gestos e passos que reproduzem simbolicamente cenas de suas biografias míticas. Essa sequência de música e dança, sempre ao som dos tambores (chamados rum, rumpi e lé) é designada Xirê, que em iorubá significa “vamos dançar”. O lado público do candomblé é sempre festivo, bonito, esplendoroso, esteticamente exagerado para os padrões europeus e extrovertido. Para o grande público, desatento para o difícil lado da iniciação, o candomblé é visto como um grande palco em que se reproduzem tradições Afro-Brasileira igualmente presentes, em menor grau, em outras esferas da cultura, como a música e a escola de samba. Para o não iniciado, dificilmente se concebe que a cerimónia de celebração no candomblé seja algo mais que um eterno dançar dos deuses africanos.

OS DOZE ORIXÁS MAIS CULTUADOS NO BRASIL

Cada um deles tem seu símbolo, o seu dia da semana. Suas vestimentas e cores próprias. Como os homens são temperamentais. Suas vestimentas são sempre muito ricas de cores.

EXU Orixá mensageiro entre os homens e os deuses, guardião da porta da rua e das encruzilhadas. Só através dele é possível invocar os Orixás. Elemento: Fogo Personalidade: Atrevido, agressivo Símbolo: Ogô (um bastão adornado com cabaças e búzios). Dia da semana: Segunda-Feira Colar: Vermelhoe preto Roupa: Vermelha e preta Sacrifício: Bode e galo preto Oferendas: Farofa com dendê, feijão, inhame, água, mel e aguardente.

OXÓSSI Deus da caça. É o grande patrono do Candomblé brasileiro. Elemento: Florestas Personalidade: Intuitivo e emotivo Símbolo: Rabo de cavalo e chifre de boi Dia da semana: Quinta-feira Colar: Azul claro Roupa: Azul ou verde claro Sacrifícios: Galo ou bode avermelhado e porco. Oferendas: Milho branco e amarelo, peixe de escamas, arroz, feijão e abóbora.

OXUM Deusa das águas doces (rios, fontes e lagos). É também deusa do ouro, da fecundidade do jogo de búzios e do amor. Elemento: Água Personalidade: Maternal e tranqüila Símbolo: Abebê (leque espelhado) Dia da semana: Sábado Colar: Amarelo ouro Roupa: Amarelo ouro Sacrifício: Cabra, galinha, pomba Oferendas: Milho branco, Xinxim de galinha, ovos, peixes de água doce.

OBALUAÊ Deus da peste, das doenças da pele e, atualmente da AIDS. É o médico dos pobres. Elemento: Terra Personalidade: Tímido e vingativo Símbolo: Xaxará (feixe de palha e búzios) Dia da semana: Segunda-feira Colar: Preto e vermelho, ou vermelho, branco e preto. Roupa: Vermelha e preta coberta de palha Sacrifício: Galo, pato, bode e porco Oferendas: Pipoca, feijão e milho, com muito dendê.

IANSÃ Deusa dos ventos e das tempestades. É a senhora dos raios e dona das alma dos mortos. Elemento: Fogo Personalidade: Impulsiva e imprevisível Símbolo: Espada e rabo de cavalo (representa a realeza) Dia da semana: Quarta-feira Colar: Vermelho ou marrom escuro Roupa: Vermelha Sacrifício: Cabra e galinha Oferendas: Milho branco, arroz, feijão e acarajé.

OSSAIM Deus das folhas e ervas medicinais. Conhece seus usas e palvras mágicas (ofós) que despertam seus poderes Elemento: Matas Personalidade: Instável e emotivo Símbolo: Lança com pássaros na forma de leque e feixes de folhas Dia da semana: Quinta-feira Colar: Branco rajado de verde Sacrifício: Galo e carneiro Oferendas: Feijão, arroz, milho vermelho e farofa de dendê.

OXUMARÉ Deus da chuva e do arco-iris. É ao mesmo, de natureza masculina e feminina. Transporta a água entre o céu e a terra. Elemento: Água Personalidae: Sensível e tranqüilo Símbolo: Cobra de metal Dia da semana: Quinta-feira Colar: Amarelo verde Roupa: Azul claro e verde claro Sacrifício: Bode, galo, tatu Oferendas: Milho branco, acarajé, coco, mel, inhame e feijão com ovos.

XANGÔ Deus do fogo e do trovão. Diz a tradição que foi rei de oyó, cidade da Nigéria. É viril, violento e justiceiro. Castiga os mentirosos e protege advogados e juízes. Elemento: Fogo Personalidade: Atrevido e prepotente Símbolo: Machado duplo (oxé) Dia da semana: Quarta feira Colar: Branco Roupa: Branca e vermelha, com coroa de latão Sacrifício: Galo, pato, carneiro e cágado Oferendas: Amalá (quiabo com camarão seco e dendê).

NANÃ Deusa da lama e do fundo dos rios, associada à fertilidade, à doença e a morte. É a orixá mais velha de todos e, por isso, muito respeitada. Elemento: Terra Personalidade: Vingativa e mascarada Símbolo: Ibiri (cetro de palha e búzios) Dia da semana: Sábado Colar: Branco,azul e vermelho Roupa: Branco e azul Sacrifício: Cabra e galinha Oferendas: Milho branco, arroz, feijão, mel e dendê.

IEMANJÁ Considerada deusa dos mares e oceanos. É a mãe de todos os Orixás e representada com seus seios volumosos , simbolizando a maternidade e a fecundidade. Elemento: Água Personalidade: Maternal e tranqüila Símbolo: Leque e espada Dia da semana: Sábado Colar: Transparente verde ou azul claro Roupa: Branco e azul Sacrifício: Porco, cabra e galinha Oferendas: Peixes do mar, arroz, milho, camarão com coco.

OXALÁ Deus da criação. É o Orixá que criou os homens. Obstinado e independente, é representado de duas maneiras: Oxaguiã, jovem, o Oxalufã, velho. Elemento: Ar Personalidade: Equilibrado e tolerante Símbolo: Oparoxó (cajado de alumínio com adornos) Dia da semana: Sexta-feira Colar: Branco Roupa: Branca Sacrifício: Cabra, galinha, pomba, pata e caracol. Oferendas: Arroz, milho branco e massa de inhame.

OGUM
Deus da guerra, do fogo e da tecnologia. No Brasil é conhecido como deus guerreiro. Sabe trabalhar com metal e, sem sua proteção, o trabalho não pode ser proveitoso. Elemento: Ferro Símbolo: Espada Personalidade: Impaciente e obstinado Dia da semana: Terça-feira Colar: Azul marinho Roupa: Azul, verde escuro, vermelho ou amarelo/ Sacrifício: Galo e bode avermelhados – Oferendas: Feijoada, xinxim e inhame.

Autoria João Bosco

Diferenças entre Candoblé, Quintanda e Ubanda

É comum ouvirmos história de pessoas mortas que se comunicam com os vivos. Vozes, fantasmas, visões, fenômenos que chamam a atenção das pessoas sobre a possibilidade de comunicação deste mundo com “outro”. No Brasil a mais fiel representante da comunicação entre o mundo sobrenatural e o mundo dos homens é a tradição afro-brasileira. Dos cultos africanos originais surgiram a umbanda, o candomblé e a quimbanda.

Nascida no Rio de Janeiro nos anos 20, a UMBANDA é uma mistura de crenças e rituais africanos e europeus. As raízes umbandistas encontram-se em duas religiões trazidas pelos escravos: a cabula, dos bantos, e o candomblé, da nação nagô. Também é chamada de magia branca que no meio popular significa fazer o bem e combater a magia negra.

A Umbanda considera o universo povoado por entidades espirituais, guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado, médium, que os incorpora. Esses guias se apresentam por meio de figuras como caboclo, preto-velho e pomba-gira. Os elementos africanos misturam-se ao catolicismo, criando a identificação de orixás com santos.

Com grandes terreiros em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia, o CANDOMBLÉ, por sua vez, cultua os orixás. Estas entidades são deuses das nações africanas dotados de sentimentos humanos como ciúme e vaidade. Calcula-se que um terço da população brasileira participe de rituais do Candomblé já que a maioria muitas vezes vai ao terreiro ao mesmo tempo em que é adepta de outras religiões.

O Candomblé chegou ao Brasil entre 1600 e 1900 com o tráfico de escravos negros da África Ocidental. Sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses que o consideravam feitiçaria. Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram a associar os orixás aos santos católicos, ocorrendo o sincretismo religioso. Os orixás Iemanjá (força das águas) e Iansã (raios, tempestades, ventos) são associados a Nossa Senhora da Conceição e Santa Bárbara, respectivamente.

A ramificação afro-brasileira que pratica magia negra, a QUIMBANDA, também é chamada pejorativamente de macumba. A palavra magia negra para os europeus significava missa negra, mas para os bantos quer dizer o feitiço que através da magia controlava os mistérios da vida e da morte.

Na Quimbanda são realizados despachos com animais como galos e galinhas pretas, por exemplo, pólvora, objetos da pessoa a quem se quer prejudicar, dentes, unhas ou cabelo de pessoas e animais. Há ainda a prática do envultamento, comum também no vodu haitiano. É a construção de um boneco de pano ou qualquer outro material, desde que pertença à pessoa a quem se quer prejudicar, e a seguir alfinetes ou pregos para transpassar o corpo da imagem. Os quimbandeiros têm como ponto principal de seu culto a invocação ou “Gira dos Exus”, que podem estar em estado de evolução ou atraso (quiumbas, obssessores).

Texto de João Bosco.

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