Texto: autoria desconhecida
foto: autoria de João Werner (www.joaowerner.com.b)

Criaturas cujo corpo era parte humana e parte animal aparecem na mitologia de inúmeras culturas. Entre elas estão os sátiros e silenos da mitologia grega, e os faunos, seu correspondente entre os romanos. Sátiros, na mitologia grega, eram divindades dos bosques, montanhas e regiões agrestes, representados como homens-bodes ou homens-cavalos. Tinham uma longa cauda e o pênis em permanente ereção. Perseguiam as ninfas e mênades, movidos por desejo sexual insaciável. No período clássico, estavam intimamente associados ao culto a Dionísio. Sileno , filho do deus Pã na versão mais frequente, além de pai dos sátiros e educador de Dionísio , era representado como um velho grotesco e sempre bêbado, porém sábio. Com o tempo, o termo sileno passou a designar os sátiros velhos. Personificações da vitalidade animal, os sátiros se distinguiam pela impulsividade, a luxúria e o amor à dança e ao vinho. Tais características determinaram a denominação científica de satiríase para a compulsão sexual masculina. A arte grega imortalizou os sátiros como participantes dos cortejos de Dionísio, nos quais dançavam e tocavam flautas ou se entregavam à perseguição de ninfas. A partir do século IV a.C., o escultor Praxíteles criou um novo modelo de sátiro, jovem e esbelto, que conservava apenas vagos traços animais. Nos festivais atenienses dedicados a Dionísio, três tragédias eram seguidas de uma peça dita "satírica", em que os integrantes do coro se disfarçavam de sátiros. Os pintores renascentistas e barrocos pintaram inúmeros sátiros e faunos. Sátiro, Fauno ou Silvano é uma figura da mitologia grega. Os sátiros moravam nos bosques, cuja guarda lhes estava incumbida. Alegres, maliciosos, formavam a escolta de Dionísio e tomavam parte em todas as suas festas, acompanhados das Ninfas.Figura com corpo de homem, chifre, e patas de bode. Os romanos identificaram os sátiros gregos com o deus Fauno e com os faunos da mitologia latina. Suas características eram originalmente diferentes, mas a literatura e a arte clássica da Europa moderna trataram os dois termos como sinônimos e misturaram suas características. Os sátiros tinham aspecto mais humano, salvo pela cauda e orelhas de asno, mas eram lascivos e bêbados. Os faunos tinham aspecto mais animalesco, mas eram de comportamento mais digno. O resultado desse sincretismo são entidades com o comportamento dos sátiros gregos e o aspecto dos faunos latinos, chamadas indiferentemente de faunos ou de sátiro, mas na verdade mais semelhante aos pãs gregos. É com esse aspecto e conceito que os sátiros foram imaginados, descritos e pintados desde a Renascença, geralmente na forma de machos lúbricos. Dessa concepção de sátiro, vêm termos como "satiríase", "satirismo" ou "satiromania" (desejo sexual excessivamente forte nos homens). Vale notar, porém, que a palavra "sátira" não está etimologicamente relacionada aos sátiros. "Sátira" provém do latim sátira "mistura de prosa e verso, sátira, gênero satírico", forma tardia do latim satura "sátira, mistura", que segundo os gramáticos latinos é abreviação do latim lanx satura "prato cheio, prato com vários tipos de frutos reunidos", de lanx "prato" e satÅ ra, feminino de satur "cheio, abundante", de satis "muito, bastante". A semelhança formal entre os vocábulos latinos satÄ ra e satyrus "sátiro" gerou uma grafia satyra, etimologicamente incorreta, baseada na suposição errônea de que o latim satÄ ra derivaria do grego sátyros, em alusão ao coro de Sátiros, que emprestou seu nome ao drama satírico grego.







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